sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Queda do Imperador

Sou considerado uma pessoa fria, que pouco demonstra seus sentimentos, seja de alegria ou de tristeza costumo tentar guardar meus problemas e minhas felicidades para mim. Mas hoje não consegui, me esvai em lágrimas vendo um dos meus maiores ídolos (se não o maior) anunciar sua aposentadoria.

Fedor Emelianenko, o maior lutador de MMA (vale-tudo) de todos os tempos foi surrado e seus ferimentos não permitiram a volta para o terceiro round. Mas de pouco lhe adiantaria um round a mais. Logo na sua entrada no ringue dava para ver que aquele não era o Fedor que passou dez anos sem ser derrotado. Provavelmente efeito da sua primeira derrota, ano passado. Derrota essa que pode ser considerada um acidente, mas a de hoje foi incontestável.

No primeiro round o russo parecia desesperado, soltando socos sem direção nenhuma e se demonstrando ansioso por uma vitória rápida, prevendo que aquele não era seu dia e que se a luta se estendesse o resultado seria o que acabamos vendo. No segundo round partiu desesperado novamente e acabou sendo colocado no chão, montado e surrado por cerca de 4 minutos. Não foi nem sombra do lutador ensaboado, que escapa fácil das adversidades no solo e mantém a posição que quer. Conseguiu sobreviver a um katagatame bem aplicado e fugiu de uma chave de perna, mas não conseguiu evitar os poderosos socos desferidos em seu rosto. Já no finalzinho do round tentou finalizar o adversário sem obter sucesso.

Adversário esse, inustitado, um nordestino em que ninguem botava fé, que já havia sido dado como perdedor da luta. Os fãs estavam analisando mais a possível luta entre Fedor e o campeão Alistair Overeem do que a própria luta contra o Antonio "Pezão" Silva. Nem o brasileiro acreditou quando os médicos pararam a luta, chorou muito e se curvou frente ao russo.  Parabéns ao Pezão que dignificou a queda do "Último Imperador" com sua habilidade no cage e sua postura digna.

Mas o momento mais triste de todos foi após a luta, ver um ídolo, um gênio em seu ofício, com o rosto e a cabeça cheios de ematomas e o olho direito fechado, sinal do castigo sofrido durante a luta, anunciar sua aposentadoria. Ao mesmo tempo em que Fedor ria dizendo que seu tempo já passou, uma lágrima saindo do olho esquerdo foi o triste sinal do emblemático fim de uma era. Momento dificil para qualquer fã do MMA. Foi nesse momento em que meus olhos se encheram de lágrimas, e após isso transbordaram por algum tempo.

O fim de uma odisséia com momentos onde o talento prevaleceu, outros onde a garra homérica fez um "pequeno" homem reverter as mais inusitadas situações para vencer gigantes, até o momento em que um gigante de verdade (o brasileiro tem gigantismo), mas que de vilão não tinha nada, arrancou o ultimo suspiro do herói, que acabou convencido de que suas aventuras ali findaram.

WAR FEDOR

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O X da Questão

Ultimamente ando lendo bastante, estudando bastante, vendo muitos filmes e documentários e tenho tido muita vontade de escrever sobre algo relevante. Entretanto alguma coisa faz a engrenagem enguiçar e eu acabo sem escrever nada. Agora por exemplo, estou escrevendo sobre nada apenas para dar alguma satisfação a mim mesmo. Dessa forma posso dizer que pelo menos escrevi alguma coisa e que o blog não acabou.

Eu pensei em escrever sobre besteiras, mas isso é cretinisse. Pensei em postar o começo do meu romance (que ainda não está sendo escrito mas está na minha cabeça), mas aí alguem ia roubar minha idéia e ficar rico (ou não). Ou posso ficar escrevendo sobre minha dificuldade em achar um tema para meus textos, coisa de cronista sem criatividade ou vlogger.

                                         E o pior é que eu já fiz isso nesse blog mesmo.

O correto seria eu lembrar que sou aluno de jornalismo e me focar em assuntos atuais, comentá-los, interpretá-los e fazer essas coisas de jornalista. Ou fazer charges, por que não? É mais fácil que escrever um romance.

*Acho que três parágrafos são suficientes para enrolar a mim mesmo e a quem for ler esse texto.


E mais uma coisa, feliz 2011 para todos. Que seja um ano repleto de doces realizações que fazem a vida valer a pena. E para quem passar por amargas adversidades, lembrem que são elas que nos tornam pessoas melhores e mais fortes, e que é nos momentos difíceis em que realmente se aprende.

*Agora um trecho de auto-ajuda. Podia ser pior?
 **Também não consegui pensar em uma imagem para o post

Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Jeitinho Brasileiro

Não faria questão de escrever sobre isso, mas já que é pra faculdade...

                                             Essa imagem resume o texto

 
Nessa semana foi divulgada (mais) uma pesquisa que aponta o povo brasileiro como o mais "caliente" e também o mais infiel. Tal pesquisa é mais uma mostra da diferença cultural e de valores de "nós" brasileiros com o resto do mundo.

Por que o povo que sempre faz tudo as avessas, tenta tirar proveito de tudo que é possível e acha que é bonito abdicar da ética não passaria por cima de suas relações afetivas/conjugais?


Para ilustrar minha opinião um tanto quanto negativa, vou contar uma história recente que ocorreu com um amigo meu. O senhor "S" um belo dia adquiriu um cargo de manda-chuva em uma repartição pública. Suas primeiras ações foram a de controle de irregularidades e de acabar com mamatas. Isso rendeu elogios? Pouquíssimos. Pelo contrário, até os mais próximos do senhor "S" reclamaram que ele "prejudicou" os funcionários, que não precisava cortar os benefícios "extras". Foi julgado por ter uma coisa que não é comum no Brasil: princípios.


Posso também citar casos mais usuais, como em um dia em que conversava com duas pessoas maduras de idade e de alto grau de instrução que comentavam sobre seus gatos de TV a cabo. Quando disse que se aproveitar do vizinho que paga pela TV era um absurdo fui criticado. "Pra que vou pagar pra eles que ganham milhões se eu posso ter de graça?" dizia um. Por um simples motivo, honestidade. Da pra citar outros milhões de casos que aconteceram comigo e com outras pessoas que provam a falta de valores do brasileiro.


Em razão desse tipo de reprimenda, garanto que muitos dos participantes "de bem" da enquete responderam que já foram infiéis para agradar aos outros. Quem não aproveita uma oportunidade de traição não tem o jeitinho brasileiro e merece exclusão! Ou é essa a visão que infelizmente muitos tem.

Porque alguem que não é honesto em questões simples e demonstra não ter valor moral nenhum seria fiel com sua esposa/marido? É por isso que eu sempre digo, se quer ter um relacionamento sério com alguem escolha bem e tenha certeza de que conhece a pessoa em questão.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Reflexões da Rotina Humana

esse texto foi feito pelo meu amigo Luan Saltori,

A criança observava. Observava pessoas desconhecidas andando,se preocupando com motivos que, segundo eles, ela só entendera quando crescer.

Ela não entendia porque isso. O tempo é ilimitado,como as possibilidades que o mundo dá. Por que é tudo tão forjado? Entre tantas escolhas a serem feitas,o homo sapiens se limita a isso: um simples roteiro.

Como podemos saber se as coisas podiam ser diferentes? A cada escolha, portas são feitas. Teremos a habilidade de escolher a porta da mudança? Ou estamos fadados a ficar na mesma porta,a porta da rotina,do roteiro,do conceito de vida criado erroneamente.

A criança sentia medo de crescer e fazer parte do sistema gigantesco da vida. Seria ela capaz de amadurecer aprendendo com o tempo o que é certo? Ou não existiria um certo?

Isso,pensa ela,é estupidamente louco. Mas afinal,parece muito mais razoável que essa vida.

E em meio a essas indagações e batalhas interiores,em meio a essa incessante busca pelo caminho da vida,do seu próprio conceito de vida,a criança observava.

sábado, 2 de outubro de 2010

Eleições 2010

Como um entusiasta da política e admirador da retórica e afins, além de grande crítico das coisas e pessoas, não podia deixar de fazer um post sobre as eleições para 2010. Vou me ater a fazer um apanhado geral de cada candidato a presidente e não entrar nos outros cargos.

Dilma Rousseff


Além de não ter um currículo digno e não ter uma história pessoal digna, não tem perfil para liderar. Claramente uma candidata inventado pelo PT (até fisicamente é notório quão "construída" ela foi) apenas para ser o novo fantoche no poder. Sua estratégia de campanha é simplesmente ser a sucessora do presidente Lula. Está no partido mais corrupto, foi Ministra da Casa Cívil, ministério este onde ocorreram inúmeros casos de corrupção. Mas assim como Lula, ela prefere dizer que não sabia de nada. E o pior de tudo, a incapacidade intelectual. Dilma tem grandes dificuldades para articular suas falas. Talvez seja por isso que está vencendo as pesquisas.

José Serra


Tem muita bagagem política, de secretário e ministro a deputado e governador, tendo feito bastante (o maior exemplo são os genéricos enquanto Ministro da saúde). Apesar disso, é um candidato sem nenhum carisma e com uma estratégia de campanha pífia. Aparenta ter sido indicado para a presidência apenas para fazer presença para o partido e a coligação. Governando o Brasil não haveria muita diferença entre ele e sua principal adversária, Dilma. A grande vantagem de Serra em cima da concorrente é que ele seria um representante digno para uma nação e faz parte de um partido com um pouco mais de ética do que o PT que promoveu escandalos titânicos e nunca teve um posicionamento firme contra a corrupção. Mas também é um candidato fraco.

Marina Silva



Praticamente desde o início das eleições venho criticando essa candidata pelo seu discurso inócuo, mas nos últimos dois debates me surpreendeu e inverteu minha opinião. Demonstrou conhecimento de política e propostas coerentes. Ao contrário dos dois primeiros candidatos, que fizeram das eleições uma "briga", ela apontou os pontos positivos dos governos Lula e FHC e insistiu que não mudaria o que está bom por rixa política, trabalharia no desenvolvimento desses fatores e focaria em outros pontos. Se mostrou bastante conciente durante toda a campanha, mesmo com o discurso inócuo nunca trabalhou na destruição da imagem dos outros. Mesmo com seu currículo não tão recheado como o de José Serra, ela demonstra ser a candidata com mais consciência e ponderação.

Plínio de Arruda


Com certeza conseguiu muitos votos durante os debates. Com postura agressiva e irônica, demonstrou bastante conhecimento político e boa retórica, derrubando seus adversários facilmente. Seu maior problema é o posicionamento excessivamente esquerdista, e seu partido que beira o fanatismo. Mas pela ponderação demonstrada, deu a entender que o discurso de esquerda não seria botado em prática de maneira inconsequente (como ocorreu no Chile de Allende ou na Cuba de Fidel). Acredito que ele faria o possível para implantar algumas propostas esquerdistas (que em muitos casos são positivas, se implantadas de maneira correta), mas não mexeria na estrutura de governo, que vem muito bem.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Hiroshima


John Hersey escreveu seu nome na história ao descrever detalhadamente os relatos de seis sobreviventes do primeiro ataque nuclear da história, no livro “Hiroshima”. Com linguagem fácil e acessível e um detalhamento incrível nas histórias, o livro mesmo sendo escrito de maneira informativa, livre de emoções forçadas e sensacionalismo, passa o sentimento de quem viveu um dos piores momentos da história do homem.
    
Para escrever seu livro reportagem, Hersey vai até Hiroshima um ano após a tragédia para colher as descrições dos sobreviventes sobre o durante e o depois da explosão da bomba e retorna quarenta anos depois para rever seus entrevistados.





As descrições minuciosas em alguns momentos chegam a chocar, como quando os entrevistados comentam do cheiro das pessoas queimadas, dos momentos após a explosão onda haviam vítimas por todos os lados.
   
Outro fator interessante do livro é a maneira como é escrito. O livro intercala as histórias dos personagens em ordem cronológica, algumas vezes dando a impressão de se tratar de um filme com suas mudanças de cena. Além disso, as histórias dos seis sobreviventes acabam se intercalando em momentos do livro, criando um elo a mais entre eles, além do elo de serem sobreviventes da bomba.

Esse grande exemplar do jornalismo literário além de contar um lado da história até então desconhecido, detalha o ápice do sofrimento humano causado por outros humanos, sugerindo mesmo que não intencionalmente a reflexão do leitor sobre o tema.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Flamingo: Bom para Brandon e bom para a banda

No meio do mês de setembro foi lançado com o selo Island o primeiro álbum solo de Brandon Flowers, frontman da banda americana The Killers. Como já era de se esperar do criativo vocalista do The Killers, o CD conta com uma pitada de excentricidade, que apesar de em alguns momentos chegar a comprometer sua qualidade, também enriquece muito o disco.

No ultimo álbum de estúdio da banda (Day & Age) fica clara a influência do vocalista nas músicas, talvez até um pouco acima do ideal. Apesar de ser um ótimo CD, de muita criatividade e sonoridade extremamente agradavel, é notável o toque excessivamente "Floweriano" nas músicas, o que deixou a simplicidade notavel dos discos anteriores da banda de lado, e contou com algumas extravagâncias como presença de instrumentos não tão ortodoxos em bandas de rock, como o saxofone. A variação de estilo na banda afirma a sua qualidade, o problema em Day & Age foi a falta do toque pessoal dos outros integrantes da banda, e excesso do toque pessoal de Brandon Flowers.

Em Flamingo temos o foco voltado para o Pop, com poucos riffs de guitarra característicos do The Killers. Algumas das faixas tem forte influência country. Também existe semelhança na sonoridade de algumas faixas do álbum com o último disco da banda por elas serem b-sides do "Day & Age".

Começando com "Welcome to Fabulous Las Vegas" Flowers já sinaliza que não há como eliminar a influência da sua glamurosa cidade natal em sua música. A faixa contém emoção e tem todo o estilo de uma faixa de abertura ou encerramento de CD. A segunda faixa, "Only The Young", tem ritmo lento e tranquilo, praticamente contando apenas com a voz do vocalista e seu teclado. Uma das melhores faixas do CD. A animada faixa seguinte vem pra quebrar o gelo de sua antecessora. Contando com o backing vocal de Jenny Lewis a música tem sonoridade beirando o country. Nas faixas seguintes o CD tem uma pequena queda, contando com músicas enroladas como "Playing With Fire" e esquisitas como "Magdalena" que também conta com um estilo country. Na oitava faixa encontramos o primeiro single do CD, "Crossfire". A música animada lembra bastante "os matadores". É a faixa mais acessível do disco, contagiando todos os gostos. Flamingo segue com a música "On the Floor", ápice da influência country presente no CD e com um refrão beirando o gospel. Para encerrar o álbum conta com a espirituosa "Swallow It", cuja letra se encaixaria perfeitamente aos críticos mais assíduos do disco.

Um disco criativo, com vários estilos e com altos e baixos. Tendo foco nas excentricidades de Brandon Flowers, que vão de gospel a country, o CD serve como um escape para o frontman do The Killers, para que os próximos álbuns da banda sejam mais focados na banda como unidade, e não somente em seu vocalista.