sábado, 3 de setembro de 2011

DECEPÇÃO


Uma das lutas mais esperadas do ano acabada sendo uma das piores
            Depois de uma ótima primeira parte das quartas de final do torneio de pesos-pesados do Strikeforce, realizado dia 12 de fevereiro e um dos melhores eventos do MMA do ano, a expectativa para a segunda parte era grande. Já garantidos nas semi-finais estavam o russo Sergei Kharitonov, que nocauteou Andrei Arlovski no primeiro round, e o brasileiro Antônio “Pezão” Silva, que surpreendeu vencendo o maior lutador de todos os tempos, Fedor Emelianenko. As lutas da noite para fechar as quartas de final foram entre o campeão do Strikeforce (e também do Dream - evento japonês de MMA - e K-1, principal evento de Kickboxing do mundo), Alistair Overeem e o brasileiro Fabrício “Vai Cavalo” Werdum (primeiro lutador a conseguir vencer Fedor após 10 anos de invencibilidade do russo) - que definiria quem iria enfrentar o brasileiro – e Josh Barnett contra Brett Rogers, para definir o adversário de Kharitonov.
            O evento contou com outros três embates, dois entre pesados (o jovem Daniel Cormier contra o experiente Jeff Monson e Valentjin Overeem, irmão de Alistair, versus Chad Griggs), e uma entre leves (K.J. Noons contra Jorge Masvidal). Cormier, que já disputou duas olímpiadas, uma como capitão do time americano de Wrestling venceu de forma convincente, demonstrando um surpreendente jogo de boxe, dominando toda a luta contra Monson. Griggs fez Overeem desistir ainda no primeiro round, após uma grande sequência de golpes. Entre os leves Masvidal, lutador que fez fama com seus vídeos de briga de rua no Youtube (como os de Kimbo Slice), derrotou de forma unanime Noons. Masvidal demonstrou um excelente jogo em pé, conseguindo superar o boxe afiado de seu rápido e ágil oponente.
            Voltando a falar no Grand-Prix, na primeira luta da noite tivemos Josh Barnett, ex-campeão de pesados do UFC e finalista do GP do Pride de categoria livre, mas que fez sua fama negativa por nada mais nada menos que três testes positivos para esteroides em sua carreira. De qualquer forma, se provou um grande combatente após vitórias sobre alguns dos melhores nomes do mundo das lutas, como Minotauro e Randy Couture, além de um ótimo cartel com 29 vitórias e apenas 5 derrotas. Seu jogo consiste na boa mistura de um wrestling de ponta com um Brazilian Jiu-Jitsu faixa preta. Do outro lado estava Brett Rogers, bem menos experiente e que ainda não se afirmou como guerreiro de ponta, tendo sido derrotado em todos os seus grandes desafios. Mas seu boxe bom e sua mão pesada eram perigosos para Barnett.
            Na peleja, a experiência de Josh pesou. Ele colocou Rogers para baixo e manteve assim a luta por todo o primeiro round. No início do segundo assalto, o ex-campeão do UFC teve a mesma postura e botou o adversário na lona. Mas dessa vez impôs seu ótimo Jiu-Jitsu e conseguiu a posição para finalizar com um triângulo de mão. Na semi-final Josh Barnett irá encarar Sergei Kharitonov.
            A luta principal da noite envolvia muita expectativa. Seria a primeira de Overeem após a conquista do título do K-1. Assim como Werdum também estava em alta, após a surpreendente vitória por finalização em Fedor Emelianenko. Outro fator para apimentar a disputa foi os dois atletas já terem se enfrentado anteriormente, no Pride, com vitória de “Vai Cavalo”. 
Entretanto, ao contrário do que todos estavam esperando, o combate foi decepcionante. Da para dizer que não houve luta. O brasileiro fingia trocação, mas sempre com o intuito de chamar o holandês para cima e se jogar no chão, simulando um knockdown e chamando o oponente para sua guarda, onde nosso conterrâneo poderia utilizar o seu único jogo – o Jiu Jitsu. Essa foi a fórmula utilizada contra Emelianenko. Mas Overeem estava esperto e não caiu. Após Fabrício se jogar no chão inúmeras vezes e muitas vaias da plateia, até o campeão, irritado, abriu mão de seu jogo. No terceiro assalto Werdum até atacou em pé, e seu algoz apenas se defendeu, já que a cada golpe desferido, “Vai Cavalo” se jogava. Overeem até entrou no jogo do brasileiro em alguns momentos, indo para o chão, mas apenas administrou, não dando a possibilidade finalização.
            A vitória foi dada para Alistair por decisão unânime. O campeão, muito contestado, especialmente pelos fãs do UFC, não botou em prática seu Muay-Thay de altíssimo nível e acabou mais contestado do que antes. Já Werdum irritou muitos fãs, até mesmo brasileiros, com sua luta covarde. Mas apesar do fraco main-event os outros embates tiveram qualidade.

MUDANÇA DE PLANOS

Dia 18 de Julho Alistair Overeem alegou que não iria lutar com o brasileiro Antônio “Pezão” Silva no dia 10 de setembro pelo GP do Strikeforce. O holandês disse que não teria tempo suficiente para se preparar para a luta. Seu substituto será o jovem e invicto Daniel Cormier.
A troca de adversário frustrou Pezão, que após vencer o maior lutador de MMA de todos os tempos – o russo Fedor Emelianenko – de forma incontestável, enfrentaria o atual campeão do Strikeforce e do K-1 (principal evento de Muay-Thay do mundo). "Estou frustrado e decepcionado que alguém considerado um dos melhores lutadores do mundo possa desistir da competição e se recusar a lutar comigo. O Overeem é um grande cara, mas não gostei da postura dele como lutador” depõe Pezão. Além da oportunidade perdida, Pezão também terá que mudar seu jogo, já que Cormier é wrestler de nível Olímpico e com certeza irá trabalhar mais o jogo de chão, enquanto o holandês buscaria a disputa em pé.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

DE VOLTA A DISPUTA


Em evento fraco Quinton Jackson consegue a posição de desafiante número um para o título dos meio pesados

            Muito esperado pelo seu duelo principal, o UFC 130, realizado dia 28 de maio, começou mal. Duas semanas antes uma situação estranha acabou matando as expectativas para o evento: tanto Frankie Edgar (campeão dos leves) quanto Gray Maynard (desafiante) se machucaram e o combate principal da noite foi cancelado. Seria a revanche do embate realizado em primeiro de janeiro, melhor luta do ano e cujo resultado foi um empate. A segunda principal peleja da noite também foi alvo de polêmica. A princípio seria uma luta entre Quinton “Rampage” Jackson e Thiago Silva, mas este foi punido por ser pego no exame antidoping. O segundo adversário mais cotado para Jackson era Rashad Evans, mas não passaram de rumores. No fim o contendor escolhido foi Matt “The Hammer” Hamill, um guerreiro dentro e fora dos ringues.
            A vida de Hamill virou filme, que será lançado no final do ano nos Estados Unidos. Ele nasceu surdo e tem dificuldades de fala. Em sua infância foi alvo de bullying e tinha baixa autoestima, coisa que só mudou quando ele descobriu o wrestling. De acordo com Matt, na luta ele conseguiu se sentir seguro, pois no ringue não é julgado por sua aparência ou deficiência.
            Mas voltando ao evento, o card principal contou com, além de Rampage versus Hamill, com as disputas dos pesados entre Frank Mir e Roy Nelson, e Stefan Struve contra Travis Bowne. Os brasileiros Thiago Alves e Jorge Santiago também participaram, lutando contra Rick Story e Brian Stann respectivamente.
            Nossos dois compatriotas acabaram sendo derrotados. Santiago que fazia sua reestreia no UFC foi nocauteado por Stann, capitão do exército e ex-combatente no Iraque, por nocaute no fim do segundo round. A evolução do americano, que vem sendo instruído pelo principal treinador do MMA mundial, Greg Jackson, o torna uma promessa na carente categoria dos pesos médios. Já Thiago, que já disputou (sendo derrotado) o título dos meio-médios contra o atual campeão Georges Saint-Pierre, obteve sua oitava derrota na carreira. Story, que abusou de sua força e bom wrestling, derrotou o brasileiro em decisão unânime dos jurados.
            Na primeira disputa entre pesos-pesados da noite, o jovem holandês Stefan “Skyscraper” Struve decepcionou e desceu da posição de eterna promessa para a de lutador mediano. O arranha-céu, como já diz seu preciso apelido, é um gigante, mas mesmo no alto de seus 2,11m ele não consegue aproveitar essa vantagem de estatura na luta em pé, ainda que seu carro-chefe seja o kickboxing. Acabou sendo nocauteado por Travis Bowne ainda no primeiro assalto. Em um movimento que já lhe causou muita dor de cabeça (literalmente), o holandês tentou uma joelhada voadora no americano, que aproveitou a abertura do adversário e aplicou um belo soco, suficiente para apagar o arranha-céu.
            A outra pugna entre pesados foi entre Frank Mir e Roy Nelson. Mesmo sendo a segunda mais esperada do evento, não foi nem digna de comentário. Ambos morreram no gás logo no primeiro round. Durante todo o combate Mir fugiu da trocação e buscou takedowns em Nelson. Mesmo derrubando seu oponente inúmeras vezes, em nenhum momento conseguiu manter a posição em solo – perdeu montadas e posições de costas que facilitavam a finalização por submissão. Uma disputa fraquíssima entre um Frank Mir que há tempos não faz uma luta convincente e um Roy Nelson de quem se esperava muito mais agressividade.
            Por fim pudemos observar a batalha entre Quinton “Rampage” Jackson e Matt “The Hammer” Hamill. Também não foi empolgante, mas como todas as lutas de Rampage, houve bela demonstração de luta em pé, especialmente do boxe de ponta do lutador. Quinton vinha de vitória sobre um dos principais lutadores da categoria, o brasileiro Lyoto Machida. Mas este triunfo não foi convincente: Jackson só saiu vitorioso pela falta de combatividade do brasileiro nos dois primeiros rounds, já que no terceiro este chegou perto de finalizar a luta. O americano, que também é ator, vem aparentando certo desânimo com o UFC. Está sempre reclamando do baixo salário e até rejeitou uma luta pelo título, declarando haver pouco tempo de treinamento para a luta.
            Hamill por sua vez vinha de cinco vitórias seguidas, tendo sido a ultima sobre a lenda Tito Ortiz. Mesmo com retrospecto positivo, Matt não havia se estabelecido como lutador de ponta na categoria dos meio-pesados, pois não venceu nenhum adversário de renome em seu auge. Ortiz vinha de quatro lutas sem vencer e seu outro grande oponente derrotado foi Jon Jones, que perdeu por desqualificação em razão da utilização de cotoveladas ilegais.
            Dessa forma Rampage ainda era o favorito por ter um histórico melhor, além da qualidade inquestionável. Mas era esperada uma grande luta, disputada pela habilidade de Jackson e raça de Hamill. No fim das contas prevaleceu a técnica mesmo. Quinton dominou todos os rounds, utilizando boas sequências de socos, alguns chutes e joelhadas, enquanto seu oponente, com pouco recurso em pé, empregava o famoso “um-dois”, sem conseguir aplicar sequências maiores de socos, e tentava incessantemente derrubar Rampage sem sucesso, vista a grande qualidade no deste.
            Quinton Jackson agora é o principal candidato à disputa do cinturão dos meio-pesados, em posse de Jon Jones.
            Esse evento sem muitas emoções com certeza não será lembrado por muito tempo. Ficou o gostinho de quero mais, e por isso dou três estrelas para o UFC 130.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A ESPERA ACABOU

começarei a postar alguns textos que fiz e não foram utilizados aqui, só para movimentar. Segue o primeiro:

            Depois de 12 anos, finalmente chega às lojas a continuação da aclamada série Duke Nukem, um clássico dos games. Duke Nukem Forever foi lançado no fim de junho para agitar os fãs da franquia, iniciada em 1991, mas que explodiu em 1996 com o revolucionário Duke Nukem 3D, que utilizou a fórmula de Doom, acrescentando qualidade gráfica, um arsenal enorme, sátiras de outros jogos e filmes, conteúdo adulto e muita presença de espírito do nosso herói (homônimo da franquia), marcas registradas do jogo.
            Com todos esses atrativos, o grande forte do novo jogo é o apelo nostálgico. Os gráficos são aceitáveis, mas ultrapassados - ainda perde para Half-Life 2, de 2004. A jogabilidade também não inova. Contém alguns puzzles simples, semelhantes ao próprio Half-Life, e algumas interações durante batalhas contra os bosses, lembrando Resident Evil 4, mas aplicadas de maneira mais simples.
            Quanto à nostalgia, é utilizada em todos os momentos do jogo: os inimigos são os mesmos já vistos no clássico de 96, bem como as armas e frases de efeito. Também foram incluídas interações divertidas com outros personagens, como participar de uma partida de aero-hockey ou autografar o livro de um garoto, e com objetos do mapa - é possível jogar pinball, poker, brincar em caça-níqueis, levantar peso, entre outros. Mulheres e sátira a outros jogos ainda fazem parte da franquia: no começo da campanha um soldado oferece armas e uma armadura, que no caso é a armadura do game Halo, e Duke solta a frase “armaduras são para mulherzinhas”, é claro que utilizando uma linguagem mais chula.
            Duke Nukem Forever também possuí um modo multiplayer, que lembra muito o do primeiro jogo da franquia, até não inovando muito em comparação ao clássico de 1996. Da para entreter-se por algum tempo, mas é extremamente repetitivo e a jogabilidade não ajuda.
            Por mais que não seja um game muito bem feito ou inovador, Duke Nukem Forever ainda é assaz divertido, deixa com vontade de quero mais, e sobretudo, com uma enorme vontade de pegar seu CD velho de Duke Nukem 3D e instalá-lo para relembrar os velhos momentos. Nostalgia e divertimento salvam esse jogo limitado e até o tornam bom para passar o tempo. Mas quem nunca jogou os jogos antigos da franquia é melhor nem perder tempo e dinheiro, com certeza será apenas uma chateação.

Duke Nukem Forever
Desenvolvedora: 3D Realms com participação de Triptych Games, Gearbox Software e Piranha Games
Publicadora: 2K Games
Plataforma: PC, Xbox 360, Playstation 3, Mas OS X
Gênero: FPS (tiro em primeira pessoa)
Modos: Single Player/Multiplayer de até 8 jogadores
Nota: 7